Eu vi a garota meio loira, meio loira que era um loiro mais escuro. Ela usava óculos, e quando cheguei no café ela estava usando um tablet com teclado, fiquei curioso para saber em que área ela trabalhava, parecia ser da área de comunicação. Ela não tinha a beleza que todos homens procuram, era uma beleza discreta. Magra, com uma bermuda jeans, e uma camisa descolada creme, que combinava com o loiro mais escuro do seu cabelo. Era a beleza que eu aprecio, discreta, só não lembro da cor dos olhos dela, pois ela estava sentada numa posição que só dava para ver o perfil lateral dela.
Eu tomei o café pacientemente, só para apreciar aquele momento, tomei um café duplo, e durou mais ou menos 40 minutos, e depois chegou à amiga dela que nem deu tempo de saber como ela era, só tinha olhos para ela. Todos do café pareciam coadjuvantes daquele momento do meu Curta-Metragem particular, do meu quadro que pintei na minha mente que até hoje a tinta ainda está fresca, pronto para uma nova pincelada. Da fotografia colorida que tirei com meus olhos apurados, mas ela é de outro século e ainda não sabe, ela é de outro país e ainda não sabe, fala português, mas a língua dela ainda estou estudando para um novo encontro. Ela é o dizível e o indizível, um toque em sua mão, um abraço, ou um beijo no canto de boca seria o que eu desejava naquele breve encontro inesperado.
Elas que durante séculos foram silenciadas pelo patriarcado., hoje elas escrevem com liberdade, com tudo que combina com o corpo, com o batom que usa, até mesmo a cor do esmalte nas unhas que influencia nas suas escritas. Algumas mais reservadas no campo acadêmico mantém a postura sem perder sua voz, e também tem uma estética mais inteligível e nuances sensíveis intrinsecos da feminilidade.
Elas têm o poder de persuasão, pois quando está exercendo o seu ofício como escritora, sentem a liberdade que outrora eram silenciadas. Por vezes, nuances sensuais transparecem ao leitor, ainda que de forma sutil. Por fim, a escrita feminina atual é construída por uma singularidade que só a mulher sob o papel ou tela, que expõem seu corpo discretamente sem ao menos perceber.
Nosso amor se desenvolveu de forma rápida, ambos ansiosos, nosso primeiro passo só foi eu curti um post seu no Facebook, de uma música triste de Caetano Veloso, E eu não gosto de mulheres anestesiadas digitalmente, gosto de mulheres profundas, inteligentes e livres da moldagem social contemporânea, que é a cultura das redes sociais onde todos parecem que estão num êxtase artificial. Então, eu curti e ela rapidamente falou comigo no chat, e marcamos o primeiro encontro no velho bairro boêmio, no Rio Vermelho. A primeira coisa que ela fez foi ler o signo dela no celular, que por coincidência é o meu também, somos de Sagitário. Aventureiros e que também gosto de desafios, claro, os desafios mais agradáveis de acordo com nossa demanda. Tomamos uma cerveja só, e chamei ela para comprarmos cerveja e irmos para meu quarto, formávamos um casal que combinava, e o quarto para tornar o encontro mais intimista. Ela estava alegre, a minha alegria combinava com a dela, e seguimos à noite até 5h da manhã, conversamos o bastante para nos conhecermos melhor, ela é daquelas que tem que passar pela peneira primeiro, e nessa noite só fui surpreendido quando estávamos mais cansados e ela deitou na minha cama como se fosse dela, com tanta intimidade no meu lar, a espera do primeiro beijo, que pensei que seria uma transa , mas só foi acontecer quando ela fez a síntese de quem eu era, e nos beijamos sedentos pelo sexo, mas ela falou no final na sessão de tantos beijos e o toque no corpo de neve dela, que eu admirava muito. Sim, ela falou matematicamente e ousada, “esse beijo foi só um prefácio” Já estava amanhecendo, ela pediu um Uber e eu a acompanhei até a portaria, o Uber chegou rápido, ela me deu um beijo de despedida e entrou no carro. Eu estava desejando que ela dormisse comigo, mas o pai dela provavelmente estava à sua espera. Eu achei um tanto instigante e misterioso o que ela falou, do beijo ser um prefácio para uma longa história, e que história.
Procuro uma mulher que não goste de carnaval. Que seja elegante e tenha também um ar de tristeza e que saiba lidar com isso sabendo que ser triste brota um ar europeu, que dar todo charme que poucos percebem em você. Que ela tenha assistido os filmes de Godard, entre outros filmes de arte. Procuro uma mulher que sabe das dores da vida e, que viver não é esperar o próximo carnaval. Que viver também depois das dores, irradie nela todos os encantos e cores da primavera e, que além da chuva que combine nas horas do cigarro para brindar uma página de um livro bom. Venha para mim metade de mim e faremos um carnaval silencioso em P&B.
Quando ela foi embora, deixou um pedaço de caos em minha vida, demorou um tempo para eu me recompor por inteiro. Ela Deixou uma ocasião que era um misto de um caos, e uma enorme saudade da sua companhia, era um caos amoroso. Como eu amava aquela mulher magrela, que não ligava para o luxo, ela era o próprio luxo. Ela fazia a própria escova no cabelo todos os dias, como uma profissional. Ganhou mais corpo com nossas transas e ficou uma Balzaquiana invejável, também tinha um grau de inteligência incrível, e com essa inteligência fez várias manobras na minha psique, e o ar de inteligência numa mulher de 30 é um afrodisíaco incrível, era o meu ópio e minha hóstia.
O amor bateu na minha porta, adentrou enquanto eu me ajeitava na minha cama. O amor que um dia foi vivido, me abraçou invisivelmente, Eu senti, eu lembrei dos meses que estávamos juntos, e a presença invisível, talvez projetada por mim ou um delírio, ou o espectro dela me visitou. Ela agora está longe de mim, morando em outra cidade, mas creio que esse amor ainda está vivo, a minha espera para ir num café. Exercitar o olho no olho e seu corpo, sua fala se dirigindo a mim, profanamente, cheia de desejos obscuros que o tempo da falta de mim criou em você um animal exótico.
Eu escolhi as letras primeiramente por poder viver a noltalgia amorosa em dígitos no teclado. Por poder amar-dedicar anônimamente qualquer mulher e, não importar a hierarquia em que ela está.
Em tons mais sérios, em poder mergulhar nos estudos da ciência da Psicologia e poder oferecer e ofertar conhecimentos que às vezes atravessam e podem ir mais longe porque tenho o dom de ser poeta, mesmo em textos sérios. também às vezes refutar conhecimentos e poder ir mais além, adoro reinventar e colaborar com meus próprios conhecimentos de teorias que já estão na academia. Eu dei um tempo no blog que tenho outros afazeres, mas em breve, quando eu estiver com mais tempo, vou me didicar mais. Até a próxima!
Em alguns dias de chuva não precisamos de livros, nós precisamos de nos aconchegar. O nosso corpo e o vapor da água, as luzes da cidade nos fazem transcender tanto quanto ler um capítulo de um livro. A profundidade que toca a gente em dias de chuva é semelhante à profundidade de um romance.
Os Millennials são pessoas nativas da tecnologia e que nasceram em 1981, cresceram em um mundo cada vez mais digital, com a tecnologia fazendo parte de suas vidas desde cedo. “Antigamente, sair de casa era visto como um rito de passagem para a independência, mas hoje a pressão é menor.” Com uma disputa alta no mercado de trabalho, os pais passam a normalizar essa complexidade intrínseca, independentemente da faixa etária de seus filhos. Este texto é uma reflexão, e uma análise do cenário complexo de um campo específico da sociedade. Além da disputa acirrada no mercado de trabalho, a questão que abordo é a infantilização prolongada da qual esses indivíduos são vítimas. Sob o ponto de vista da psicologia histórico-cultural, entendo que esses indivíduos que vivenciam uma estrada complexa, um passado histórico-cultural cheio de obstáculos, colocamos uma boa parte dessa geração no submundo das drogas.
. Talvez esse fenômeno surja não por uma má inclinação do indivíduo, mas pelas próprias dificuldades que esses indivíduos encontram em seu meio, de se inserir na sociedade. As drogas causam danos que afetam o comportamento e a parte psicológica desses indivíduos, gerando um (des)desenvolvimento psicológico.
Um estudo aprofundado da psicologia do desenvolvimento da vivência dos toxicômanos Millennials e suas consequências passadas e futuras se faz necessário. Essa situação os deixa com mais predisposição e vulnerabilidade para desenvolver doenças psicológicas, retardando e procrastinando cada vez mais sua participação ativa na sociedade. Eles ficam cada vez mais à margem, sobrecarregando a demanda de seus genitores com idades mais avançadas, o que causa mais preocupação e a busca por ajuda psiquiátrica, terapêutica e até mesmo o ferrenho internamento em clínicas psiquiátricas.
Embora o internamento tenha sido normalizado na sociedade em que vivemos hoje, a realidade das clínicas psiquiátricas, para quem já trilhou esse caminho, não é a melhor escolha para se tratar. Essa parte eu anulo, e sou a favor da luta antimanicomial e da participação efetiva dos familiares, médicos e terapeutas nesse contexto. .
A realidade dos Millennials é vista pela psicologia do desenvolvimento e histórico-cultural como moldada pela sociedade, pelo mercado de trabalho competitivo e pela luta desses indivíduos. A normalização do cenário atual e a vivência anterior do caminho mórbido das drogas mostram o conformismo desses personagens sociais, que se manifesta pela inconstância na sociedade.
Cabe a cada um tomar consciência da sua situação e ir à luta. Isso, claro, com o aporte de um bom terapeuta e psiquiatra que o conduza para uma vida mais justa. Para eles, Vivenciando o mundo das sombras” (drogas) pode parecer um antídoto e uma expressão de liberdade, mas é a pior escolha e uma forma de autoaprisionamento e estagnação que a pessoa vivencia.